Desenvolver aplicações SIG de forma Agile!

Estou a digerir tudo o que vi na formação de 3 dias sobre metodologias Agile e Scrum e este post servirá como bloco de notas.

Esta semana estive 3 dias em formação com o excelente formador Mitch Lacey. Este sr. tem já uma grande experiência em projectos de desenvolvimento de software, e ouvi-lo foi realmente uma experiência enriquecedora.

Não vou entrar em grandes detalhes teóricos sobre Agile/Scrum, porque não sou definitavemente a pessoa indicada para o fazer. Vou em vez disso enumerar os pontos que mais me impressionaram e que mais valor terão se os integrar na forma como a “minha” equipa funciona. Portanto, as afirmações seguintes devem ser encaradas como uma perspectiva muito pessoal…

Agile é um conjunto de práticas que visam desenvolver um projecto de forma iteractiva, com ciclos curtos entre versões intermédias antes de chegar à entrega final, com vista a reduzir os riscos associados a este tipo de projectos – sendo o maior entregar um produto que não se ajusta à visão do cliente!

Scrum é a metodologia Agile mais difundida, e obteve o seu nome do Rugby: scrum é a altura em que os jogadores se reunem para reiniciar o jogo, e ambas as equipas disputam a bola. Em Agile, Scrum é um método em que uma equipa de desenvolvimento se concentra ferozmente em terminar um conjunto de tarefas num prazo curto – tipicamente 14 ou 28 dias – e se compromete a no final do prazo produzir uma versão funcional do produto que está a desenvolver.

Qual é a grande diferença em relação ao processo tradicional (designado “Waterfall” ou “em Cascata“)? É que no processo Waterfall, os requisitos para a aplicação a desenvolver são definidos à partida, na fase de levantamento e definição dos mesmos. Em seguida, esta lista de especificações é trabalhada com o cliente final, e atinge-se um acordo, sendo fechada a lista de itens a implementar. E é aqui que este método tem a sua maior fraqueza: é pouco flexível, e não considera facilmente requisitos que se alteram com o tempo (alguém se identifica com esta experiência??). A analogia de construir uma casa é muito clarificadora: ao olhar para a planta da minha futura casa, posso ficar muito satisfeito com o que está planeado. Mas, mais tarde, ao andar pela estrutura já construída da casa, vou conseguir obter uma visão mais clara do que estava na planta, e consequentemente vou definir melhoramentos e até novas funções que quero ter na versão final da casa. Isto é um processo natural e não deve ser combatido. E é o que os métodos Agile nos oferecem: ao cliente final permite algum controlo durante a vida do projecto, e à equipa de desenvolvimento permite um grande poder de adaptação à mudança, permitindo concluir o projecto dentro do prazo e do orçamento, mesmo absorvendo alterações aos pressupostos iniciais. E para descansar os espíritos mais desconfiados, resta acrescentar que esta metodologia é reconhecida pelo PMI, e é usada pelas maiores empresas de software como Microsoft ou IBM.

Porque é que estas técnicas me interessaram? Os pontos mais importantes:

  • A equipa de desenvolvimento com que trabalho é pequena – podemos contar com 2,5 técnicos (sim, temos realmente uma metade de técnico!), e somos facilmente dispersados por várias solicitações em simultâneo
  • O meio onde nos inserimos é muito dinâmico – as alterações aos requisitos são muito frequentes, e a sua definição inicial é muito difícil de obter e estabilizar
  • Trabalhamos para o “Cliente Interno”, onde as relações informais dominam, e os processos formais inerentes ao método Waterfall dificilmente são aplicados e respeitados

Da abordagem Scrum, estes são os pontos que mais me agradam e que vejo possibilidade de implementar rapidamente:

  1. Definir o “Product Backlog”, que mais não é que uma lista de funções a implementar numa aplicação, ordenada por prioridade
  2. Definir o “Sprint Backlog”, que é a lista prioritizada de funções que vamos implementar no próximo ciclo de 14 dias (o sprint)
  3. Reuniões relâmpago diárias, onde rapidamente (15 min.) cada um dos elementos da equipa percorre estes 3 pontos – o que concretizaste ontem, o que vais fazer hoje, e tens algum ponto crítico?
  4. Estar atento a solicitações de alterações ou novas funções, mas lutar por integrá-las no Product Backlog, que poderá ser re-prioritizado todas as semanas (mas as funções só podem entrar num sprint no seu início)
  5. Consciencializar todos os elementos da equipa de que todos são responsáveis pela equipa! Todos se devem preocupar com a saúde emocional da equipa e com a concretização dos compromissos assumidos com o exterior (notem aqui a grande diferença mental entre cumprir objectivos e cumprir compromissos)
  6. Obter uma versão funcional no final de cada Sprint! E demonstrá-la. Na teoria Scrum, a demo deve ser feita ao cliente. No meu caso, parece-me mais plausível realizar uma demo interna à equipa, para validar a direcção dada ao projecto, detectar incongruências, enfim, andar pela estrutura da casa e ver se é como imaginámos quando fizemos a planta…

É realmente uma forma de trabalhar muito aliciante, e que de alguma forma torna o desenvolvimento de projectos mais humano.

Algumas ferramentas consideradas essenciais a uma boa prática Agile já utilizamos na equipa:

  • Repositório de código e Controle de versões – usamos o SVN, e o AnkhSVN para integrar com o Visual Studio. Não há checkin de código que não compile. Este é um passo fundamental na organização da equipa!
  • Documentação – embora não tenhamos ainda a prática de documentação automática do código, embora já se tenha discutido o assunto várias vezes, usamos um Wiki para documentar quer a vertente técnica quer a vertente de utilização das aplicações

E das peças que nos faltam, o que podemos integrar no nosso caso particular?

  • Teste unitários – é algo que deveremos implementar, mas que está ainda algo longíquo de ser possível… é necessário primeiro re-organizar o código em componentes suficientemente pequenos, modulares, para possibilitar esta técnica. Mas os ganhos são óbvios – rapidez de efectuar testes e na detecção de bugs
  • Test Driven Development – ver ponto anterior, é algo desejável, mas cuja execução obriga a remodelar o repositório de código existente. Talvez a longo prazo seja possível…

Para mais informação recomendo vivamente a leitura deste artigo: “Agile Project Management for GIS“. Muitos mais podem ser encontrados “googlando” a Internet (como por exemplo este na revista PM Network, pp 42). E para aqueles que ficarem convencidos, fica a referência do curso – Fullsix.

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