Arquivo mensal: Maio 2009

Balanço Open Source para SIG

Tempo de leitura: 3 min

Já há algum tempo que tenho planeado escrever sobre a integração entre Postgresql e ArcSDE, agora que a ESRI suporta esta combinação. Mas ao começar esse artigo dei por mim a reflectir sobre a utilização que faço de ambos os mundos – open e closed source…

Sou utilizador de software ESRI há muitos anos, e sou também utilizador de software Open Source em tempo igual. Curiosamente.

Sucede que comecei a trabalhar em SIG num projecto de investigação na universidade (no Instituto Superior de Agronomia, “antigo” Dept. de Eng.ª Rural), e em simultâneo iniciei o mestrado. No projecto de investigação trabalhei com Linux, aprendendo as bases deste SO que ainda hoje me servem – na altura não havia sistemas de distribuição de pacotes de software já pré-configurados… por exemplo, o sistema de email que usava tive que o compilar… outros tempos (sou tão velho “informaticamente” que a minha mulher quer oferecer-me pelo aniversário uma tshirt do ZX Spectrum). Para a tese de mestrado usei ArcInfo numa estação de trabalho IBM com o SO AIX, uma variante de Unix desenvolvido por este fabricante. Desde aí mantive o gosto por Open Source, e continuei utilizador ESRI.

Para um utilizador ESRI, a integração com software Open Source é uma questão muito pertinente, por vários motivos – anoto aqui apenas alguns. Afinal, e não o escondo, o ArcGIS é o meu software SIG favorito, mas não faz tudo o que preciso, e nem tudo o que faz é feito da melhor forma. Nada melhor do que complementá-lo com pérolas de software gratuito. Por outro lado, existem tarefas para as quais prefiro utilizar um programa mais ligeiro, como o QGIS. E claro, para tarefas relacionadas com outro software Open Source também não é o mais indicado. Por exemplo, exportar um ficheiro .map para o MapServer a partir de um mapa devidamente simbolizado. Também a interoperabilidade e capacidade de interagir com os diversos standards OGC são limitadas no ArcGIS em alguns aspectos. Por exemplo, criar ficheiros SLD (de simbologia) para uso no GeoServer. Mas para os críticos do ArcGIS não se ficarem a rir, não conheço nenhum outro programa que crie ficheiros KML tão facilmente e com tanta funcionalidade como o ArcGIS. E o KML também é um standard OGC…

A situação com o Software Aberto na área SIG (SASIG) teve uma evolução explosiva nos últimos anos. Na minha opinião, devido em grande parte à publicidade positiva que a área recebeu da Google e a Microsoft. E hoje o panorama de software no lado do servidor e no lado do desktop é extraordinário. O software Open Source não serve só como complemento, e terá todo o mérito e capacidade em ser utilizado como peça central de um SIG. Tudo depende dos objectivos, necessidades, e processos de trabalhos escolhidos.

No servidor, temos 3 players fenomenais: MapServer, GeoServer (web), e Postgresql+PostGIS (bd).

No desktop, podemos também escolher facilmente 3 campeões da causa: gvSIG, Kosmo, e Quantum GIS – embora existam muitos mais.

Na categoria de ferramentas para conversão de dados, que tanto são usadas no lado servidor como no lado desktop, temos o incontestável par GDAL/OGR para raster e vector. Outras iniciativas mais recentes que poderão ser interessantes são o FeatureServer, o Spatial Data Integrator e o GeoKettle (ambos semelhantes ao FME).

Para o desenvolvimento de aplicações web também temos óptimos produtos: OpenLayers, pmapper, MapFish, e vários outros.

Já para desenvolver aplicações desktop o cenário é muito diferente, e não será uma tarefa fácil tentar criar uma aplicação SIG baseada em componentes Open Source. Pessoalmente, a minha opção seria sempre pela facilidade de utilização, e assim optaria pelo objecto ActiveX do MapWindow GIS, ou o extraordinário SharpMap para .NET (cujo desenvolvimento tem sido extremamente lento, para grande desencanto da comunidade… o jovem Morten foi contratado pela… (suspense)… ESRI!). Estas seriam as opções mais simpáticas, com menor exigência técnica e de tempo para criar uma aplicação SIG desktop adaptada a um objectivo específico.

Para adeptos Java existem também várias opções, embora mais complexas. As opções mais proeminentes serão a GeoTools (sem mecanismo de visualização?), GISToolkit (última versão de 2003), e OpenMap (apenas visualização). O mundo Java é para mim mais desconhecido, e agradeço contribuições de quem tenha mais prática com esta tecnologia para esclarecer a situação actual face a componentes SIG.

A área continua a evoluir e é difícil manter uma noção actualizada do que vai acontecendo nos vários domínios. Têm vindo a ser publicados artigos com o diagnóstico da “situação actual”:

Faltará talvez uma página web fixa onde se possam actualizar os vários produtos, talvez num wiki? Para nós lusófonos, seria excelente manter uma página destas no wiki do OSGeo PT. Há voluntários???

Serviços SIG no AutoCAD

Tempo de leitura: 4 min

Olá a todos. Desde o meu último post passou mais tempo do que gostaria… mas hoje consegui “empurrar” este post.

A questão que trago aqui hoje é uma forma de integrar um SIG baseado em software ESRI com software Autodesk. Ou seja, se a sua organização usa ArcGIS Server então saiba que pode fazer chegar toda a sua informação SIG aos utilizadores de AutoCAD/Map/Civil, e tudo sem conversões ou múltiplos ficheiros. Melhor, pode visualizar toda a informação publicada pela ESRI no site ArcGIS Online no AutoCAD, e isso inclui os ortofotomapas do IGP, de 2004 e com 1 m de resolução.

A solução é o plugin da ESRI “ArcGIS for AutoCAD”, para AutoCAD (como o nome indica). É um download gratuito que está no site da ESRI. Depois de instalado vai acrescentar um menu e uma ribbon ao AutoCAD chamados “ArcGIS” e que permitem definir ligações a serviços ArcGIS Server, localizados na Intranet ou na Internet, o que abre uma grande via de comunicação entre o mundo SIG e o mundo CAD. Este plugin oferece ainda uma nova forma de produzir informação CAD (no AutoCAD) com atributos denominada “Mapping Specification for Drawings” e que, de acordo com a ESRI Inc., é mais interoperável – não obriga a conversões complexas, evita perda de informação quer no lado SIG quer no lado CAD, e é baseado apenas em ficheiros DWG “normais”. Pode obter mais informação aqui: Mapping Specification for Drawings. Ainda não tive a oportunidade de investigar em detalhe esta nova opção… mas este video da ESRI ilustra o processo.

Mas regressemos ao tópico principal – como ver no AutoCAD informação publicada através do ArcGIS Server?

Instalação do ArcGIS for AutoCAD

A instalação segue o processo normal: depois de fazer o download, basta executar o ficheiro obtido. Nos casos que observei, os novos elementos na interface do AutoCAD não foram correctamente adicionados, pelo que foi necessário fazê-lo manualmente. Para isso bastou executar o comando “cuiload” (dentro do AutoCAD) e na janela que abre indicar o ficheiro “C:\Program Files\ArcGIS for AutoCAD\ afaUI.cui” (ou equivalente de acordo com a pasta de instalação).

A partir daqui, o menu e a ribbon ArcGIS ficarão visíveis.

Adicionar um serviço

Para adicionar um serviço ArcGIS, basta usar o botão “Add Map”, e preencher os dados do endereço do servidor, e nome do serviço pretendido. Na imagem seguinte é mostrada a ligação a um servidor interno na EDIA com um serviço que mostra as infra-estruturas do EFMA, usando dados ArcSDE e simbologia ArcMAP:

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E o resultado depois de aproximar a uma área com dados é (desculpem a qualidade da imagem):

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Podem ser usados serviços dinâmicos e de cache (em que as imagens são previamente geradas para uma quadrícula e para um conjunto de escalas pré-definidos). Os serviços de cache permitem uma velocidade de interacção muito maior, com a contra-partida de existir alguma desactualização dos dados.

Adicionar o serviço ArcGIS Online com os ortos do IGP

O processo para adicionar os ortos ao AutoCAD é o mesmo, mas agora indicando o endereço do servidor da ESRI: http://services.arcgisonline.com/arcgis/services.

No momento em que fiz este artigo, o AutoCAD não reconheceu o proxy da empresa (que exige autenticação), pelo que não pude capturar imagens… não foi possível determinar se o problema é do AutoCAD ou se é do plugin.

Identificar vectores num serviço ArcGIS Server

O plugin também inclui uma ferramenta de “Identify” que permite consultar os atributos da informação publicada. Por exemplo, identificar um canal no serviço da EDIA daria o seguinte resultado:

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Conclusões

Esta ferramenta é realmente um passo em frente na interligação SIG-CAD, ou melhor, ESRI-Autodesk. Embora o AutoCAD Map e Civil tenham a capacidade de ligação a serviços WMS, a verdade é que a minha experiência com essa funcionalidade não tem sido a melhor (muitas vezes o mapa não redesenha o serviço WMS, e a impressão não refresca a imagem para ajustar ao tamanho do layout). Por outro lado, a ligação a serviços ESRI em cache é agora possível, o que traz as 2 grandes vantagens destes serviços: 1) são muito mais rápidos; e 2) exigem muito menos esforço por parte do servidor SIG, o que permite servir mais utilizadores com o mesmo servidor.

Neste momento, este plugin está em utilização na EDIA principalmente para visualizar, em AutoCAD, os mosaicos de ortofotomapas residentes em ArcSDE, algo que nunca tinha sido conseguido de forma funcional. E conseguimos mesmo chegar aos utilizadores da versão base do AutoCAD (sem Map nem Civil), que foram também sempre os mais excluídos do SIG. Optou-se por publicar os ortos através de serviços em cache, o que resultou numa óptima performance e numa experiência impressionante para os utilizadores.

No entanto, algumas questões têm suscitado dúvidas e dificuldades: a qualidade das imagens que surgem no AutoCAD têm pouca qualidade quando se utilizam serviços em Cache (principalmente vectores; com ortos não é tão aparente), e não foi ainda possível definir a transformação entre data diferentes (isto é, sobrepor dados WGS84 e Datum73). Também as labels aparecem no AutoCAD mais pequenas do que o esperado, o que obriga a alterar os mxd’s e criar novos serviços no ArcGIS Server especificamente para utilizar em AutoCAD.

Por outro lado, a possibilidade de definir níveis SIG num DWG que depois surgem no ArcMap como Feature Classes, sem necessidade de conversão, é muito apelativa… mais ainda se pensarmos que se podem preparar DWGs vazios com as especificações pretendidas e entregá-los a fornecedores de serviços, projectistas e arquitectos. Estes podem criar a sua informação usando AutoCAD com estes DWGs, trabalhando assim já de acordo com as especificações SIG dos clientes, e sem necessidade de adquirir novo software – bastará usar o plugin gratuito. Mas este é já outro desafio totalmente diferente…