Arquivo mensal: Fevereiro 2010

A importância da política

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Este post está um pouco atrasado, mas não quero deixar de resumir o que mais me impressionou no ESIG deste ano.

A apresentação que mais impacto me causou foi a do IGN, o congénere espanhol do IGP. O facto de haver uma política de disseminação da informação geográfica bem definida, com acesso gratuito para usos não comerciais, e a obrigatoriedade de independência tecnológica, é extremamente importante. Depois, o esforço continuado de reunir e publicar informação geográfica detida pelo Estado, ao nível central e regional, produziu um portal onde podemos aceder a um enorme arquivo de informação geográfica útil e actual. E as estatísticas de acesso são impressionantes. 200 milhões de pequenas transacções por mês (cada pan e zoom contam). Há uma política de partilha entre os serviços do Estado que contrasta com o que fazemos por cá. Mais ainda, esta política de partilha extende-se ao cidadão, o que para nós Lusos é uma prática pouco vista…

A título de exemplo posso relatar o caso de um amigo de faculdade que trabalha há alguns anos em Barcelona. A informação que mais utiliza são ortofotomapas e parcelário agrícola. Que obteve gratuitamente já que a sua actividade se encontra na esfera da iniciativa pública. Não teve dificuldades, é informação comummente disponível. Outro exemplo, desta vez pessoal. Quando necessitei de encontrar bacias hidrográficas e barragens na grande bacia do Guadiana, onde encontrei informação geográfica com estes dados? No lado de lá da fronteira, e incluía também dados para o território português. Lamento, mas no Atlas da Água não consegui obter dados equivalentes…

No lado espanhol, temos mais de 10.000 temas de informação geográfica disponível (segundo a apresentação no ESIG). Tudo disponível para visualização no site do geoportal (http://www.idee.es) e através de serviços WMS. No lado português temos o quê (http://mapas.igeo.pt/)? 7 serviços WMS, e 3 deles são de limites administrativos…

Esta realidade dos factos já era conhecida de todos nós. Mas foi angustiante ver as diferenças tão bem expostas ao assistir, em sequência, às apresentações do IGP e do IGN… em 5 anos o IGN tem um geoportal dos mais avançados do mundo. E nós?

Enfim. A vida continua, e ao reler este post percebo que é um desabafo, coisa pouco habitual neste blog. Termino com uma nota de expectativa positiva – o IGP inicia agora um novo período, com nova presidência. Pode ser que seja agora o verdadeiro início do SNIG?