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OSM: quem anda aqui?

A cidade de Beja há um ano atrás não tinha quase presença no OpenStreetMap. Hoje deve ser uma das cidades mais completas… (é verdade que também é das mais pequenas, mas isso agora não interessa nada!)

Separador OSM

Só uma nota rápida para quem não conhece, e fico sempre surpreendido com a quantidade de pessoas que me vão dizendo que não conhecem, o OSM é um projecto internacional, comunitário, de levantamento de dados cartográficos por hobbyistas (chamados pomposamente de voluntários). E tem sido um fenómeno enorme de popularidade, e vale muito a pena investigar. Até porque a sua qualidade é tal que é usado em vários produtos para navegação pessoal. Um dos últimos convertidos é a MapQuest - faça uma visita se quiser ficar impressionado. O OSM começou por levantar a rede rodoviária, e abrange hoje uma série de outras categorias de dados, especialmente pontos de interesse. Mas fiquemos por aqui sobre o projecto OSM em si.

Continuando…

Dizia eu, Beja praticamente não tinha dados levantados, e eu como iniciado entusiasta, lá vectorizei algumas vias principais: usando o OSMTracker andei de carro com o meu telemóvel, que tem GPS, passei os dados para o PC, e usei o JOSM para “limpar” os dados e preencher os nomes das ruas, e finalmente passei tudo para o servidor. “Charân” – cidade de Beja online! (Mas muito poucochinho…). Note-se que agora as coisas estão bem mais simples – vectorizamos por cima dos ortos do Bing usando o excelente Potlatch2, e falta só atribuir nomes às vias. Para isso podemos usar o Walking Papers. (isto porque não podemos copiar os nomes das ruas do Bing.)

Andei distraído algum tempo, e agora que tenho um tablet Android, comecei a testar programas de navegação que usam dados OSM (que são muitos). E é quando vejo a cidade de Beja completamente cartografada! Vias, Pontos de Interesse, áreas verdes, cemitério… farmácias, parques de estacionamento, supermercados… impressionante.

Mas de quem é a criança? Quero dizer, quem foi o cartógrafo de serviço?

Histórico do OSM

Devem existir outras formas de fazer isto, mas eu usei o ITO OSM Mapper, e deixo aqui a dica.

Este site permite visualizar para uma dada zona quais as edições feitas nos últimos 3 anos, identificando os utilizadores, as datas de edição, e o n.º de vias editadas em cada sessão. Espectáculo.

Então, observem. Esta imagem mostra as sessões de edição feitas em Beja no último ano. Podemos assim perceber as sessões de edição que mais contribuíram para o mapa(cada sessão terá uma cor).

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Começa a ser claro, que um dos editores sobressai… alterando a caixa “View”, passamos a ver as edições por utilizador:

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Olá… Sr. Luís Coentro!! Quero aqui deixar os meus parabéns!! Se um dia nos encontrarmos, faço questão de lhe oferecer uma imperial no Pulo do Lobo, para me contar a história de como mapeou a cidade de Beja!

Mais a sério

O OSM é um projecto com um potencial incrível. As organizações que necessitam de uma rede viária cartografada, fácil de usar, e de manter, podem contribuir e usufruir deste repositório, beneficiando dele e beneficiando todos os co-cidadãos pelo caminho. As câmaras municipais são potenciais utilizadores/produtores óbvios. As escolas com cursos técnico-profissionais podem também usufruir imenso deste projecto, enquanto ao mesmo tempo contribuem para o mesmo. Aliás, projectos de cooperação câmaras-escolas teriam toda a lógica, e seriam duplamente úteis. Sabendo das dificuldades em obter dados geográficos utilizáveis, e da dificuldade em encontrar projectos escolares úteis, aqui fica a sugestão.

Já agora ficam aqui alguns contactos para a malta tuga do OSM: lista de email osm-pt, páginas pt no wiki OSM, página no wiki da OSGeo-PT sobre o OSM, lista de email OSGeo-PT.

Bons mapas.

Cartografia inglesa gratuita

Pois é… o Ordnance Survey, autoridade nacional de cartografia inglesa, e produtora de vários produtos cartográficos, vai disponibilizar gratuitamente os seus produtos a partir da escala 1:10.000. Incluíndo para fins comerciais.

Esta decisão foi tomada pelo Governo Britânico e anunciada pelo 1º ministro britânico no dia 17 de Novembro de 2009. Aparentemente, foi muito impulsionada pelo “inventor” da web, Tim Berners-Lee, que desempenha um papel de assessor para esta questão desde Junho de 2009.

A questão sobre se os dados cuja produção é financiada pelo Estado devem ou não ser gratuitos é antiga e muito apaixonada. Sempre que alguém refere esta questão desenvolvem-se sempre grandes discussões, e amizades de uma vida podem perder-se!! Na minha perspectiva, existem 2 campos: aqueles a favor da venda dos dados (geralmente pessoas associadas ao IGP ou a empresas de cartografia), e depois o grupo daqueles que são a favor da distribuição tendencialmente gratuita dos dados, constituído pelo restante da humanidade.

Até recentemente, havia o grande fosso Americano-Europeu que mostrava bem a aplicação das 2 políticas. Os EUA aplicam a regra em que se os dados são produzidos com dinheiros públicos então devem ser gratuitos. Na Europa, a regra seria a de que para manter uma elevada qualidade dos dados e para os manter actualizados de forma sustentável, é necessário cobrar, e bem, pelos dados mesmo que sejam produzidos com dinheiro dos impostos. Do ponto de vista europeu, os dados americanos são maus e não servem os grandes interesses do público. Pois, mas por cá continuo sem ter uma rede de estradas nacional em formato SIG como os EUA têm… (vide TIGER).

Sucede que este fosso está a desaparecer, num movimento lento mas que parece agora acelerar. A Espanha decidiu implementar em 2008 uma política de difusão livre dos dados cartográficos do Instituto Geográfico Nacional espanhol. Em Novembro deste ano a Noruega também abriu o acesso a produtos cartográficos, embora de uma forma limitada a fins não lucrativos e individuos. Agora, a OS, uma das mais conceituadas entidades estatais responsáveis pela cartografia, vê-se forçada a libertar grande parte dos seus dados. Foram efectivamente forçados, porque até agora a OS tem defendido energicamente a sua posição de comercializar os dados que produz, numa política de recuperação total ou quase total de custos.

O impacto desta decisão ao nível financeiro parece estar acautelado, já que a decisão foi co-apresentada pelo responsável britânico das Finanças! Até agora não se encontram dados claros sobre o custo desta decisão, mas aparentemente a maior parte das receitas da OS são obtidas dos dados a escalas maiores (1:2500 e 1:1250), produtos que por cá nem existem. As estimativas que encontrei são muito variadas, indo de 5 milhões a 50 milhões de libras em receitas perdidas. Mas a questão parece não ser grave, e as mesmas estimativas apontam para uma geração de receitas muito superior na sociedade civil.

Agora, e relativamente a Portugal, como estamos? Dados livres temos os limites administrativos, e algumas imagens de cartas à escala 1:500.000 ou pior. E ainda algumas cartas temáticas de interesse circunscrito a áreas específicas (Cartografia de Risco de Incêndio Florestal, Rede de Nacional de Estações Permanentes). No total, existem 8 serviços WMS disponibilizados pelo IGP, e 3 deles são limites administrativos.

E dados pagos? Com qualidade e actualizados de forma sustentável? Onde andam? Mas mais importante, que receitas geram ao IGP? Que importância têm no orçamento do IGP? Será assim tão caro disponibilizar os ortofotomapas 1:10.000 de penúltima geração? E quanto custará (em receitas perdidas) disponibilizar alguma informação extraída da cartografia 1:10.000? E por fim, que tipo de actividade económica será gerada por esta disponibilidade de informação? Que receitas podem ser esperadas? Não serão maiores que os custos? Enfim, não será este o caminho a seguir?

Aguardemos o que o futuro nos trará. O presente parece cada vez melhor.