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MapServer em Windows e IIS

O MapServer é geralmente instalado com Apache, mesmo em Windows. Para este caso, basta um dos vários instaladores existentes, por exemplo, o OSGeo4W.

Mas, no meu caso e imagino muitos outros, como uso mais servidores Windows, precisei de instalar o MapServer de forma a que funcione com IIS. Para além disto, preciso também que o endereço web dos meus mapas não mostre sempre o ficheiro de configuração usado. É feio, e é um risco de segurança. Ninguém devia saber a estrutura das directorias no disco rígido do servidor.

MapServer como aplicação FastCGI – As melhores instruções

A parte inicial de configurar o IIS de forma a executar o MapServer é mais ou menos fácil de encontrar na net. Esta parte consiste em configurar o IIS de forma a considerar o executável mapserv.exe como sendo uma aplicação FastCGI. Isto é mais ou menos padrão nos IIS >7.0 (win7/win8/win2008/win2012). Este link explica bem como fazer isto, usando os ficheiros do MS4W:

https://github.com/mapserver/mapserver/wiki/Installing-Mapserver-under-IIS-7.n-with-FastCGI

Mas melhor ainda é uma instalação automática – sim existe! Preparada pelo nosso grande Tamas Szekeres:

http://www.gisinternals.com/query.html?content=filelist&file=release-1600-gdal-1-11-1-mapserver-6-4-1.zip

Nesta página escolham o ficheiro mapserver-6.4.1-1600-core.msi.

A minha instalação

Eu preferi fazer uma instalação manual, usando ficheiro zip do Tamas Szekeres contendo todo o software, em vez do .msi. Isto dá-me mais flexibilidade para encontrar a configuração que mais se ajusta às minhas necessidades.

Criei uma directoria wwwroot\MapServer, e descomprimi aqui o ficheiro zip. Este ficheiro contém apenas 2 directorias: bin e doc.

E, para facilitar a organização dos ficheiros map e daquilo que serão os serviços web, acrescentei mais 3 directorias: mapfiles, servicos, e tmp.

O aspecto final é este:

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Ou seja, tudo o que pertence ao MapServer propriamente dito fica dentro da pasta “binarios”. Agora falta configurar o IIS para executar o mapserv.exe como aplicação FastCGI. A receita é curta e é feita na consola de gestão do IIS…

1) Dar permissões de escrita à pasta tmp.

Este passo é apenas necessário para permitir que o MapServer consiga criar ficheiros, o que apenas sucede em alguns cenários. Em princípio, se servirmos apenas WMS, WFS, não será necessário. Mas pelo sim, pelo não, mais vale configurar…

2) Permitir a execução de scripts na pasta MapServer.

Na pasta MapServer, abrir a funcionalidade “Handler Mappings” :

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e abrir a acção “Edit Feature Permissions”. Nesta janela dar permissões de “Read”, “Script”:

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3) Definir um documento default a apontar para o executável.

Mais tarde pode ser removido, mas para testar é muito útil. Nas definições básicas da pasta MapServer, escolher a funcionalidade “Default Document”, e escrever o caminho para o executável mapserv.exe (cuidado com as barras /):

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4) Criar a aplicação FastCGIS para o MapServer.

Esta configuração é feita no nó principal do nosso site. Por isso, selecionamos o nó “Default web site” ou o nome que demos ao nosso site, a abrimos a funcionalidade “Handler Mappings”:

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Aqui, clicamos na acção “Add Module Mapping” e definimos estas propriedades:

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Ou seja, definimos que o executável mapserv.exe deve ser executado como uma aplicação FastCGI. Temos ainda de clicar no botão “Request Restrictions” e definir os “verbos” permitidos e o acesso necessário à aplicação:

imageimage

5) Último passo! Temos de definir as variáveis de ambiente que o MapServer necessita.

Estas variáveis estão todas escritas no ficheiro SDKShell.bat que está na pasta do MapServer. Estas variáveis têm de ser definidas ao nível da aplicação FastCGI, e o único sítio onde se pode fazer é ao nível do servidor IIS e não ao nível do site. Por isso, é preciso selecionar o nó raíz do IIS, e selecionar a opção “FastCGI Settings”:

image

Nesta janela, vemos a nossa aplicação FastCGI já criada. Podemos editar a nossa aplicação, e na janela de configuração clicamos na opção “Environment Variables”. Aqui temos de criar 4 variáveis:

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As 4 variáveis de ambiente são:

  • PATH = C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\gdal\python\osgeo;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\proj\apps;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\gdal\apps;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\ms\apps;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\gdal\csharp;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\ms\csharp;C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\curl;%PATH%
  • GDAL_DATA = C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\gdal-data
  • GDAL_DRIVER_PATH = C:\Inetpub\wwwroot\MapServer\binarios\gdal\plugins
  • PROJ_LIB = C:/Inetpub/wwwroot/MapServer/binarios/proj/share

E é tudo.

Depois desta configuração, os pedidos ao MapServer já devem funcionar:

http://localhost/MapServer

image

Parabéns – o MapServer está a funcionar. A partir daqui o uso é o normal. Podemos indicar o mapa que queremos usando o parâmetro mode=map&map=ficheiro. Por exemplo:

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Agora, a questão é conseguir ter endereços simpáticos, que não mostrem o nome e caminho do ficheiro de configuração… o que queremos são endereços do tipo:

Mas é opcional… já podemos publicar todos os ficheiros map que quisermos. Fica a promessa de outro artigo com esta configuração para breve.

Ah, e já agora – este processo pode-se usar para instalar o QGIS Server. É exactamente a mesma coisa.

Bons web services!

Balanço Open Source para SIG

Já há algum tempo que tenho planeado escrever sobre a integração entre Postgresql e ArcSDE, agora que a ESRI suporta esta combinação. Mas ao começar esse artigo dei por mim a reflectir sobre a utilização que faço de ambos os mundos – open e closed source…

Sou utilizador de software ESRI há muitos anos, e sou também utilizador de software Open Source em tempo igual. Curiosamente.

Sucede que comecei a trabalhar em SIG num projecto de investigação na universidade (no Instituto Superior de Agronomia, “antigo” Dept. de Eng.ª Rural), e em simultâneo iniciei o mestrado. No projecto de investigação trabalhei com Linux, aprendendo as bases deste SO que ainda hoje me servem – na altura não havia sistemas de distribuição de pacotes de software já pré-configurados… por exemplo, o sistema de email que usava tive que o compilar… outros tempos (sou tão velho “informaticamente” que a minha mulher quer oferecer-me pelo aniversário uma tshirt do ZX Spectrum). Para a tese de mestrado usei ArcInfo numa estação de trabalho IBM com o SO AIX, uma variante de Unix desenvolvido por este fabricante. Desde aí mantive o gosto por Open Source, e continuei utilizador ESRI.

Para um utilizador ESRI, a integração com software Open Source é uma questão muito pertinente, por vários motivos – anoto aqui apenas alguns. Afinal, e não o escondo, o ArcGIS é o meu software SIG favorito, mas não faz tudo o que preciso, e nem tudo o que faz é feito da melhor forma. Nada melhor do que complementá-lo com pérolas de software gratuito. Por outro lado, existem tarefas para as quais prefiro utilizar um programa mais ligeiro, como o QGIS. E claro, para tarefas relacionadas com outro software Open Source também não é o mais indicado. Por exemplo, exportar um ficheiro .map para o MapServer a partir de um mapa devidamente simbolizado. Também a interoperabilidade e capacidade de interagir com os diversos standards OGC são limitadas no ArcGIS em alguns aspectos. Por exemplo, criar ficheiros SLD (de simbologia) para uso no GeoServer. Mas para os críticos do ArcGIS não se ficarem a rir, não conheço nenhum outro programa que crie ficheiros KML tão facilmente e com tanta funcionalidade como o ArcGIS. E o KML também é um standard OGC…

A situação com o Software Aberto na área SIG (SASIG) teve uma evolução explosiva nos últimos anos. Na minha opinião, devido em grande parte à publicidade positiva que a área recebeu da Google e a Microsoft. E hoje o panorama de software no lado do servidor e no lado do desktop é extraordinário. O software Open Source não serve só como complemento, e terá todo o mérito e capacidade em ser utilizado como peça central de um SIG. Tudo depende dos objectivos, necessidades, e processos de trabalhos escolhidos.

No servidor, temos 3 players fenomenais: MapServer, GeoServer (web), e Postgresql+PostGIS (bd).

No desktop, podemos também escolher facilmente 3 campeões da causa: gvSIG, Kosmo, e Quantum GIS – embora existam muitos mais.

Na categoria de ferramentas para conversão de dados, que tanto são usadas no lado servidor como no lado desktop, temos o incontestável par GDAL/OGR para raster e vector. Outras iniciativas mais recentes que poderão ser interessantes são o FeatureServer, o Spatial Data Integrator e o GeoKettle (ambos semelhantes ao FME).

Para o desenvolvimento de aplicações web também temos óptimos produtos: OpenLayers, pmapper, MapFish, e vários outros.

Já para desenvolver aplicações desktop o cenário é muito diferente, e não será uma tarefa fácil tentar criar uma aplicação SIG baseada em componentes Open Source. Pessoalmente, a minha opção seria sempre pela facilidade de utilização, e assim optaria pelo objecto ActiveX do MapWindow GIS, ou o extraordinário SharpMap para .NET (cujo desenvolvimento tem sido extremamente lento, para grande desencanto da comunidade… o jovem Morten foi contratado pela… (suspense)… ESRI!). Estas seriam as opções mais simpáticas, com menor exigência técnica e de tempo para criar uma aplicação SIG desktop adaptada a um objectivo específico.

Para adeptos Java existem também várias opções, embora mais complexas. As opções mais proeminentes serão a GeoTools (sem mecanismo de visualização?), GISToolkit (última versão de 2003), e OpenMap (apenas visualização). O mundo Java é para mim mais desconhecido, e agradeço contribuições de quem tenha mais prática com esta tecnologia para esclarecer a situação actual face a componentes SIG.

A área continua a evoluir e é difícil manter uma noção actualizada do que vai acontecendo nos vários domínios. Têm vindo a ser publicados artigos com o diagnóstico da “situação actual”:

Faltará talvez uma página web fixa onde se possam actualizar os vários produtos, talvez num wiki? Para nós lusófonos, seria excelente manter uma página destas no wiki do OSGeo PT. Há voluntários???

Serviços SIG no AutoCAD

Olá a todos. Desde o meu último post passou mais tempo do que gostaria… mas hoje consegui “empurrar” este post.

A questão que trago aqui hoje é uma forma de integrar um SIG baseado em software ESRI com software Autodesk. Ou seja, se a sua organização usa ArcGIS Server então saiba que pode fazer chegar toda a sua informação SIG aos utilizadores de AutoCAD/Map/Civil, e tudo sem conversões ou múltiplos ficheiros. Melhor, pode visualizar toda a informação publicada pela ESRI no site ArcGIS Online no AutoCAD, e isso inclui os ortofotomapas do IGP, de 2004 e com 1 m de resolução.

A solução é o plugin da ESRI “ArcGIS for AutoCAD”, para AutoCAD (como o nome indica). É um download gratuito que está no site da ESRI. Depois de instalado vai acrescentar um menu e uma ribbon ao AutoCAD chamados “ArcGIS” e que permitem definir ligações a serviços ArcGIS Server, localizados na Intranet ou na Internet, o que abre uma grande via de comunicação entre o mundo SIG e o mundo CAD. Este plugin oferece ainda uma nova forma de produzir informação CAD (no AutoCAD) com atributos denominada “Mapping Specification for Drawings” e que, de acordo com a ESRI Inc., é mais interoperável – não obriga a conversões complexas, evita perda de informação quer no lado SIG quer no lado CAD, e é baseado apenas em ficheiros DWG “normais”. Pode obter mais informação aqui: Mapping Specification for Drawings. Ainda não tive a oportunidade de investigar em detalhe esta nova opção… mas este video da ESRI ilustra o processo.

Mas regressemos ao tópico principal – como ver no AutoCAD informação publicada através do ArcGIS Server?

Instalação do ArcGIS for AutoCAD

A instalação segue o processo normal: depois de fazer o download, basta executar o ficheiro obtido. Nos casos que observei, os novos elementos na interface do AutoCAD não foram correctamente adicionados, pelo que foi necessário fazê-lo manualmente. Para isso bastou executar o comando “cuiload” (dentro do AutoCAD) e na janela que abre indicar o ficheiro “C:\Program Files\ArcGIS for AutoCAD\ afaUI.cui” (ou equivalente de acordo com a pasta de instalação).

A partir daqui, o menu e a ribbon ArcGIS ficarão visíveis.

Adicionar um serviço

Para adicionar um serviço ArcGIS, basta usar o botão “Add Map”, e preencher os dados do endereço do servidor, e nome do serviço pretendido. Na imagem seguinte é mostrada a ligação a um servidor interno na EDIA com um serviço que mostra as infra-estruturas do EFMA, usando dados ArcSDE e simbologia ArcMAP:

image

E o resultado depois de aproximar a uma área com dados é (desculpem a qualidade da imagem):

image

Podem ser usados serviços dinâmicos e de cache (em que as imagens são previamente geradas para uma quadrícula e para um conjunto de escalas pré-definidos). Os serviços de cache permitem uma velocidade de interacção muito maior, com a contra-partida de existir alguma desactualização dos dados.

Adicionar o serviço ArcGIS Online com os ortos do IGP

O processo para adicionar os ortos ao AutoCAD é o mesmo, mas agora indicando o endereço do servidor da ESRI: http://services.arcgisonline.com/arcgis/services.

No momento em que fiz este artigo, o AutoCAD não reconheceu o proxy da empresa (que exige autenticação), pelo que não pude capturar imagens… não foi possível determinar se o problema é do AutoCAD ou se é do plugin.

Identificar vectores num serviço ArcGIS Server

O plugin também inclui uma ferramenta de “Identify” que permite consultar os atributos da informação publicada. Por exemplo, identificar um canal no serviço da EDIA daria o seguinte resultado:

image

Conclusões

Esta ferramenta é realmente um passo em frente na interligação SIG-CAD, ou melhor, ESRI-Autodesk. Embora o AutoCAD Map e Civil tenham a capacidade de ligação a serviços WMS, a verdade é que a minha experiência com essa funcionalidade não tem sido a melhor (muitas vezes o mapa não redesenha o serviço WMS, e a impressão não refresca a imagem para ajustar ao tamanho do layout). Por outro lado, a ligação a serviços ESRI em cache é agora possível, o que traz as 2 grandes vantagens destes serviços: 1) são muito mais rápidos; e 2) exigem muito menos esforço por parte do servidor SIG, o que permite servir mais utilizadores com o mesmo servidor.

Neste momento, este plugin está em utilização na EDIA principalmente para visualizar, em AutoCAD, os mosaicos de ortofotomapas residentes em ArcSDE, algo que nunca tinha sido conseguido de forma funcional. E conseguimos mesmo chegar aos utilizadores da versão base do AutoCAD (sem Map nem Civil), que foram também sempre os mais excluídos do SIG. Optou-se por publicar os ortos através de serviços em cache, o que resultou numa óptima performance e numa experiência impressionante para os utilizadores.

No entanto, algumas questões têm suscitado dúvidas e dificuldades: a qualidade das imagens que surgem no AutoCAD têm pouca qualidade quando se utilizam serviços em Cache (principalmente vectores; com ortos não é tão aparente), e não foi ainda possível definir a transformação entre data diferentes (isto é, sobrepor dados WGS84 e Datum73). Também as labels aparecem no AutoCAD mais pequenas do que o esperado, o que obriga a alterar os mxd’s e criar novos serviços no ArcGIS Server especificamente para utilizar em AutoCAD.

Por outro lado, a possibilidade de definir níveis SIG num DWG que depois surgem no ArcMap como Feature Classes, sem necessidade de conversão, é muito apelativa… mais ainda se pensarmos que se podem preparar DWGs vazios com as especificações pretendidas e entregá-los a fornecedores de serviços, projectistas e arquitectos. Estes podem criar a sua informação usando AutoCAD com estes DWGs, trabalhando assim já de acordo com as especificações SIG dos clientes, e sem necessidade de adquirir novo software – bastará usar o plugin gratuito. Mas este é já outro desafio totalmente diferente…

Visualizar CAD online

A visualização de informação CAD via web, por si só ou em conjunto com outra informação georreferenciada, é importante para as áreas de Engenharia, como sejam as de Projecto, Empreitada, Exploração e Manutenção de infra-estruturas. Nestas áreas a informação CAD é rainha – qualquer menção de outros formatos ou, perdendo completamente a cabeça, referir SIG é garantir o epiteto de “o tipinho dos Mapas”… Mas fora de brincadeiras, o valor da informação CAD em Engenharia é obviamente indiscutível, e as ferramentas CAD e SIG são naturalmente complementares, e talvez até sequenciais em muitos fluxos de trabalhos. Mas isso seria material de outros artigos…

O objecto deste artigo é apresentar 2 metodologias para visualizar ficheiros CAD num browser, e como veremos, isto pode ser feito actualmente com e sem downloads de software.

Os ficheiros DWG não dados a visualizações rápidas. Até hoje não vi ainda uma aplicação que rapidamente mostre o conteúdo de um DWG. Se usarmos software Autodesk os recursos do computador que são ocupados apenas para abrir um pequeno DWG são impressionantes, mas as coisas têm vindo a melhorar ultimamente. O visualizador que mais me agradou até hoje é o eDrawings: uma aplicação gratuita, rápida, e eficaz. Surpreendentemente, o próprio MapGuide não publica ficheiros DWG, a não ser que se convertam primeiro para DWF. (se alguém souber o contrário, por favor diga-me!)

Em relação ao problema de visualizar na web ficheiros DWG, foram encontradas 2 soluções, e passam ambas por os converter para DWF. Só depois poderemos usar um controle ActiveX para o Internet Explorer (ou mais recentemente um plugin para Firefox 3.x) para visualizar estes ficheiros, ou recorrer ao serviço gratuito da Autodesk chamado Freewheel. Mas vejamos cada solução em detalhe.

Solução 1 – Controle ActiveX para IE ou plugin Firefox 3.x

Ao instalar software da Autodesk é também instalado um controle ActiveX que lê ficheiros DWF e  faz muitas outras coisas, sendo um autêntico mini-programa de CAD. Este controle era incluído no DWF Viewer, um produto gratuito que entretanto foi substituído pelo Design Review. De qualquer forma, muitos dos programas da Autodesk, como o AutoCAD, TrueView, ou o Design Review, instalam também este controle, e por isso muitos dos utilizadores terão já o controle no seu PC, mesmo sem saberem.

Este controle permite incluir este mini-visualizador CAD em aplicações Windows, como o IE, Word, PowerPoint, etc., e isso é muito útil para o nosso objectivo.

Para abrir um ficheiro DWF no IE, basta incluir numa página web o seguinte código HTML:

<OBJECT CLASSID="clsid:A662DA7E-CCB7-4743-B71A-D817F6D575DF"
CODEBASE=http://www.autodesk.com/global/dwfviewer/installer/
DwfViewerSetup.cab#version=7,0,0,928
WIDTH="640" HEIGHT="480">
<PARAM NAME="Src"
VALUE="http://www.autodesk.com/global/dwf/samples/multiple_layouts_large.dwf">
</OBJECT>

O resultado é excelente. A imagem seguinte mostra o resultado…

dwfviewer_1

Caso o PC não tenha ainda o controle instalado, o browser inicia o processo de download e instalação, caso o utilizador permita.

Observando a toolbar podemos ver funções como imprimir, gravar (para DWF ou DWFx), zoom e pan, ver Model e todos os Layouts, controlar Layers, Propriedades, e muitos outros, oferecendo assim um verdadeiro mini-CAD dentro do browser.

Este exemplo pode ser encontrado num dos blogs da Autodesk. Como o código já é um pouco antigo, a versão indicada do controle é também antiga (7.0.0.928), e podemos usar uma mais recente. Para isso localizamos a dll do controle no nosso computador (C:\Program Files\Common Files\Autodesk Shared\DWF Common\AdView.dll), verificamos a sua versão e actualizamos o código (no meu PC a dll tem a versão 9.0.0.96 e vinha incluída no Design Review 2009). Devemos escolher uma versão que seja a mais comum na empresa onde vamos implementar este sistema de visualização, para evitar que os utilizadores tenham de instalar software adicional.

Uma última nota – se incluirmos o controle ActiveX numa página web, sem indicar um ficheiro para abrir, então o botão de Abrir ficheiro fica activo e podemos escolher qualquer ficheiro que tenhamos no disco ou numa partilha. Mas é estranho que ao indicarmos um ficheiro no código essa opção fique inactivada…

Vantagens desta solução:

  • visualizador muito completo no browser
  • permite abrir qualquer ficheiro DWF acessível ao PC, quer em disco, partilha, ou web
  • permite imprimir, gravar como DWF/DWFx, e capturar imagens
  • interface muito familiar para quem usa software Autodesk

Desvantagens:

  • exige IE
  • exige que já exista software Autodesk instalado, ou que se instale o controle ActiveX

Links de interesse:

Solução 2 – Serviço Freewheel da Autodesk

A Autodesk lançou um serviço online (já em 2006!) que permite fazer upload de um ficheiro DWF e visualizá-lo num browser sem qualquer software adicional. Pode até visualizar-se num PDA. Se a página for configurada para abrir um ficheiro pré-definido, então o ficheiro tem de estar num url acessível ao servidor da Autodesk e é preciso cuidado com firewalls ou proxies restritivos. Mas se for o utilizador a indicar o ficheiro que pretende visualizar, então o proxy/firewall não deverá interferir.

Algumas empresas poderão não estar dispostas a colocar os seus desenhos DWF num website público, embora pessoalmente essa questão me pareça pouco importante – até porque seria necessário conhecer o url exacto do ficheiro para o poder obter. Por outro lado, (confesso já que não li os termos de utilização do serviço com atenção) fico com a sensação de que também aqui se podem levantar questões de confidencialidade – o que sucede aos ficheiros passados para o servidor da Autodesk? Quem os pode ver?… Se alguém quiser esclarecer esta questão seria óptimo.

O código HTML a incluir na página web é muito simples:

<iframe scrolling="no" width="800" height="600"
src="http://freewheel.autodesk.com/dwf.aspx?path=http://www.pinnacle-pizza.com/Hotel5.dwf">
</iframe>

A página ficaria com este aspecto:

dwf_freewheel_1

Não há software a instalar no nosso PC, e a visualização é excelente. Há menos controles disponíveis na toolbar, mas mesmo assim podemos fazer zoom e pan, e navegar pelo Model e Layouts do ficheiro. Através do menu File, podemos ainda abrir um ficheiro diferente (que é enviado para o servidor da Autodesk), enviar por email, e imprimir.

Como funciona? O servidor Freewheel recebe os pedidos do nosso browser para visualizar determinada parte do ficheiro DWF e devolve uma imagem dessa visualização, e assim por diante. Ao fazer zoom sobre, por exemplo, a área da legenda, essa área é devolvida ao browser como uma imagem que é mostrada ao utilizador, simulando o trabalho com o ficheiro.

O serviço Freewheel disponibiliza uma pequena API que permite efectuar pedidos específicos através do endereço (url): que ficheiro queremos, que área, que zoom, etc. E é isso que enviamos por email quando usamos essa opção no browser – um url que permite ao destinatário ver o desenho exactamente na posição em que o estamos a ver.

Mas há mais… o Autodesk Labs (equivalente ao Google Labs, onde se experimentam tecnologias até serem promovidas a produtos “a sério”) oferece uma versão melhorada do Freewheel. A capacidade que mais me impressionou foi a de podermos criar um repositório de ficheiros DWF que podemos manter no servidor da Autodesk e reutilizar ou partilhar com colegas de trabalho. Mais: é possível até partilhar uma sessão de visualização em que um dos utilizadores manipula o desenho e os restantes podem observar, trocar mensagens, e anotar o desenho. Quando testei com o Chrome o tamanho do texto e desenhos estava demasiado grande, e não sei quanto tempo os ficheiros ficam disponíveis… mas estas capacidades de cooperação são impressionantes.

Vantagens desta solução:

  • não é necessário software adicional
  • interface muito simples, com zooms e pan
  • acesso ao model e layouts do DWF
  • o utilizador pode carregar qualquer ficheiro DWF para visualizar
  • qualquer browser e até PDAs podem visualizar ficheiros DWF
  • pode-se imprimir
  • pode-se enviar um email com url para visualizar o ficheiro DWF
  • pode-se fazer uma sessão de visualização em conjunto
  • pode-se a partir de links fazer thumbnails usando apenas Javascript

Desvantagens:

  • menos funcionalidade CAD
  • os ficheiros a visualizar são transmitidos para o servidor da Autodesk, o que pode demorar
  • o desempenho depende da nossa ligação à Internet e da capacidade de resposta do servidor da Autodesk
  • os ficheiros são passados para o servidor da Autodesk
  • Internet é obrigatória

Links de interesse:

Conclusão

Estas 2 abordagens permitem resolver a questão de visualizar ficheiros CAD online, embora ainda de forma isolada e obrigando a converter para o formato DWF, mas é um primeiro passo para podermos ter a informação CAD integrada numa abordagem web. Claro que a partir do momento em que aceitamos a obrigatoriedade de converter os nossos ficheiros CAD para DWF abrimos a porta a usar o MapGuide para publicar esses ficheiros em serviços WMS, serviços esses que podem ser incluídos em aplicações webGIS… e isso já é outra estória.

Google Maps lidera?

Lembro-me da surpresa que foi em 2006, quando preparava slides para uma apresentação no curso pós-graduação sobre SIG leccionado no ISA, ao ver as estimativas sobre o número de visitas que as plataformas de mapas online recebiam só nos EUA.

A grande surpresa, além claro da enormidade dos números (42 milhões de visitas por mês! num só site), foi que a MapQuest era a #1 incontestável, com mais do dobro de visitas que o n.º 2 contabilizava. E o n.º 2 era o Google Maps…

Se pensarmos no facto de ter sido o Google Maps a primeira experiência com mapas na web para a maioria dos Internautas, e se considerarmos que a MapQuest é praticamente desconhecida do público em Portugal, a surpresa ainda é maior. E parecia ainda mais impossível a diferença do n.º de visitas ser tão gigantesca… Mas era um facto irrefutável, a MapQuest era a líder dos serviços online que apresentavam mapas com rotas/percursos.

Agora, 3 anos depois, surgem números que indicam que o Google Maps superou a MapQuest no mês de Janeiro de 2009. Embora se encontrem números discordantes quanto à liderança, o que ninguém discorda é que estes 2 sistemas estão a lutar lado-a-lado pela liderança.

Interessante também é analisar os 2 gráficos apresentados pelo Web Mapper, que ilustram como a vantagem da MapQuest foi desbaratada em  apenas 12 meses: não foi só o Google Maps que conseguiu aumentar a sua quota de visitas mensais de forma significativa (30% a 70% consoante a fonte), mas a MapQuest também foi responsável pelo seu próprio desaire, perdendo 9% de visitantes no último ano.

Quais as razões para a subida da Google e descida da MapQuest?

Em relação à Google podemos dizer que é mais do mesmo – melhoria dos serviços aliada à visibilidade da marca e imagem positiva que tem junto do público. É natural que os utilizadores do motor de busca, do GMail, Google News e outros, que estando satisfeitos usem também o Google Maps. Aliás, há dados que indicam que 61% das visitas no Google Maps vieram dos links apresentados nas pesquisas do Google.

Por seu lado, a MapQuest é criticada pela agressividade dos seus serviços de publicidade, que colocam os anúncios no centro de atenção das páginas. Ou seja, são demasiado intrusivos, e os utilizadores não se têm mostrado agradados com isso… a isto soma-se a lentidão em investir na plataforma para a modernizar e aproximar das plataformas concorrentes da Google e Microsoft. Mas é discutível se haveria algo que a MapQuest pudesse fazer para combater aquilo que os recursos imensos dos seus 2 concorrentes lhes permite fazer (novas funções, dados recentes e de excelente qualidade,…).

A ver vamos o que o futuro nos reserva. Pessoalmente, gosto que haja concorrência entre os serviços que utilizo. Por isso, desejo melhores dias e mais sabedoria à MapQuest.

PS – Para quem tiver curiosidade em conhecer o percurso da MapQuest, pode ver aqui um artigo sobre a sua história – de uma empresa tradicional de mapas a líder mundial de mapas online.