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Usa a Comunidade, Luke

Nota: Este artigo foi publicado originalmente no último iGov DOC, sobre SIG na Administração Pública, páginas 21-23. Resisti à tentação de fazer alterações que agora me parecem óbvias, e apenas corrigi algumas gralhas. (Aqui no blog fica pesquisável na web…)

SIG Open Source? Sim, obrigado.

Como gestor de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) tenho especial interesse em analisar a decisão de usar um dado produto num projecto. E em especial quando esse produto pode ser de Código Aberto (CA) quais são as implicações associadas a essa escolha? Além das minhas próprias escolhas, observo com interesse as escolhas de colegas em situações semelhantes, as suas dúvidas e receios. Em geral, a escolha de produtos CA carregam um receio que não surge na escolha de produtos de Código Fechado (CF). É sobre esta questão que espero contribuir construtivamente neste artigo.
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SASIG II – Notas

As 2ªs Jornadas de Software Aberto de Sistemas de Informação Geográfica terminaram, e pensei em escrever um pequeno post sobre o evento.

Em relação à organização, foi consensual – a qualidade do evento foi muito acima da média, mesmo comparando com eventos de muito maior dimensão. O espaço estava bem adaptado e equipado, e o evento social (jantar) foi simplesmente fantástico.

Mas o que mais sobressaiu foi o espírito que se viveu na conferência. Falando com várias pessoas, todas apontavam este sentimento de partilha, entre-ajuda, e camaradagem, como algo de especial, que não se vê noutros congressos. Por isso, aconselho vivamente a quem se interesse pela área dos SIG que assista às próximas SASIG em 2010, que serão em Lisboa (temos de aguardar por mais detalhes).

Convidados

O facto de termos presentes alguns convidados de fora, envolvidos em projectos de grande projecção, também ajudou e muito a elevar o nível de interesse. Estiveram presentes e fizeram apresentações responsáveis dos projectos World Wind (da NASA), do gvSIG, do Sextante. Também foi muito interessante ouvir as experiências e opiniões de pessoas envolvidas no desenvolvimento de comunidades noutros países, havendo representantes da própria OSGeo internacional, e dos capítulos locais Italiano e Espanhol.

Comunicações

Quanto às apresentações, foi apresentado um bom painel de assuntos, muito abrangente. Das apresentações que vi, apreciei muito 2 apresentações de mestrandos, com excelente nível técnico, o que comprova a qualidade do nosso ensino e dos nossos estudantes. Precisamos de mais casos assim, e pessoalmente gostaria de ver mais comunicações universitárias com tão elevado grau de exigência.

Todas as comunicações estão já disponíveis para download (84MB), e parece que teremos o video também em breve:

http://evora.sigaberto.org/downloads/apresentacoes.zip

Uma apresentação que me chamou a atenção em especial foi a do Sapo Mapas. Este site de mapas aparentemente fez tudo bem: tem cartografia temática de grande qualidade, com uma quantidade impressionante de pontos de interesse (200 mil agora, para breve 600 mil), pesquisa de códigos postais 7 dígitos, itinerários, “trânsito em directo”, fotografias panorâmicas, e ainda uma API que qualquer pessoa e empresa pode usar para incluir mapas no seu próprio site, e totalmente gratuita, mesmo em caso de sites com fins comerciais. A continuar assim, esta é uma grande novidade em Portugal, e penso que o é mesmo a nível mundial. Não conheço outra API que tenha uma licença tão livre, ficando Portugal mais bem servido que todos os outros países. É claro que fica o receio da PT alterar o licenciamento e ficarmos com o nosso site ilegalizado, mas para já o facto é que é gratuita.

A API é muito semelhante à do OpenLayers, pelo que será muito familiar a quem conhece. No site do Sapo Mapas há documentação e exemplos para quem quiser aventurar-se. Mas acho algo penoso que tenham reinventado a API do OpenLayers – podiam ter usado o original.

Workshops

Foram realizados diversos worshops, ou sessões práticas de 3-4h, sobre diversos programas: gvSIG, OpenLayers, PostgreSQL/PostGIS, Quantum GIS, World Wind, Linux, Sextante, GISVM, e MapServer.

Pretende-se publicar online os materiais de cada workshop (dados e slides), mas para já temos a possibilidade de obter um zip dos dados de cada workshop no site das jornadas aqui:

http://evora.sigaberto.org/?q=node/85

Uma iniciativa que achei interessante foi a de ter sido criada uma distribuição Linux própria para estes workshops, com todo o software pré-instalado. Poderão ter de ainda copiar os dados dos workshops, mas de resto está tudo lá. Podem obter esta distribuição no mesmo link dos workshops.

Se gravarem o ficheiro (iso ou img) para uma pen usb ou para um DVD, podem ligar o computador a partir destes suportes, ficando com uma máquina Linux funcional, sem necessitar de mais instalações de software. Também se quiserem, podem converter estes ficheiros numa máquina virtual, que pode ser usada mesmo em Windows, novamente sem instalações de software (a não ser, claro, o software para utilização de máquinas virtuais – por exemplo o Virtual Box OSE).

Para breve está prometido um local para descarga dos materiais incluindo os slides.

Jornadas SASIG e Mapping Party

As II Jornadas de Software Aberto para Sistemas
de Informação Geográfica vão ter lugar em Évora nos dias 2-4 Novembro de 2009.

É o único evento desta temática que conheço em Portugal. Quem se interessa por este tipo de software, já praticante, curioso, ou em fase de investigação, pode agora assistir a esta conferência, ver as apresentações, frequentar os diversos workshops práticos (cursos relâmpago de 1/2 dia), e sobretudo conviver num ambiente descontraído e muito entusiasta!

As inscrições quer na conferência quer nos workshops é feita no site das II Jornadas SASIG aqui:

http://evora.sigaberto.org/

Quero também aproveitar para promover o mais possível este evento incluído nas SASIG:

Vai haver uma OpenStreetMap Mapping Party em Portugal!!

Quem quiser pode participar no levantamento das ruas de Évora, e aprender o processo de publicar essa informação na base de dados do projecto.

Para quem não conhece, o OpenStreetMapping é uma iniciativa que visa construir uma base de dados mundial gratuita com vias de comunicação, e não só: pontos de interesse, zonas verdes, muitos outros dados, e até ortofotomapas (ver o projecto “irmão” OpenAerialMap).

O processo de construção desta bd é o mesmo que criou a Wikipedia: “crowdsourcing”. Todos podemos participar, havendo ferramentas para trabalhar online ou no desktop, mais e menos complexas. Mas nem só de voluntários é feita a bd do OSM, havendo também doações de informação (alô IGP? alô IGeoE?).

Para garantir a liberdade dos dados, não se pode utilizar fontes protegidas por copyright, pelo que vectorizar sobre imagens do Google Maps/Earth não é permitido. Mas podemos usar mapas cujo copyright tenha expirado, ou até a imagem aérea do Yahoo Maps, que deu uma licença especial à OSM, para vectorizar os nossos dados. Mas o método mais interessante e divertido é o levantamento directo com GPS.

E os dados são de quem, depois de carregados? São de Todos! E qualquer pessoa pode obter cópia dos dados para a área de interesse que entender, e usá-los para o que entender (menos comercializar). Para proteger esta liberdade foi criada a OpenStreetMap Foundation.

Para os cépticos, fica aqui uma imagem de Londres dos dados existentes na bd à data de hoje:

Estado dos dados de Londres em Ago/09

Estado dos dados de Londres em Ago/09

E agora uma imagem de Évora (vergonha):

Estado dos dados de Évora em Ago/09

Estado dos dados de Évora em Ago/09

Portanto, quem quiser passar uma boa tarde a conviver com outros geeks geográficos na belíssima cidade de Évora e a contribuir para uma iniciativa histórica, venha daí e inscreva-se no site aqui:

http://evora.sigaberto.org/?q=node/66

Lá nos veremos!